Longe vao os tempos: A bimby de darwin

Longe vao os tempos em que as mulheres nos conquistavam pelo estômago. As mulheres hoje em dia pertencem a uma geração que ja nao sabe cozinhar. A nossa mãe ainda tem algum jeito, mas nada comparado com a nossa avó, que fazia receitas inventadas pela mãe dela. Há aqui um padrao que me leva a prever que se algum dia tiver uma filha ela nunca vai chegar a saber escalfar um ovo. Mas felizmente há explicação:
Tal como a abilidade de trepar ás arvores, detectar o perigo atravéz do olfacto ou ter relações sexuais com diversas criaturas várias vezes ao dia, tudo são perdas e ganhos (por acaso nao consegui arranjar exemplos de ganhos) de uma espécie que vive esta infinita viagem de adaptação. Darwin explicaria melhor que eu, expecto o facto de ele estar morto. A verdade é que as mulheres perderam a capacidade de fazer comida. É por isso que os casamentos gays estao tao na moda – nós precisamos de alguem que saiba cozinhar e elas nao sabem…
Tenho amigos que são homossexuais (atenção que tambem tenho outros que não o são!) e todos cozinham bem. Pouco, por causa do corpo, mas muito saboroso e com optimo aspecto. Posso afirmar a plenos pulmões, e aqui que ninguém me vê que mais facilmente um deles me conquistava pelo estômago, que a maioria das mulheres que conheço. Se a isto sumarmos: a arrumação e bom gosto da casa, a capacidade de saber ouvir e de festejar com euforia os nossos feitos e o dom para massagens –obtemos algo que, no mínimo é cativante para qualquer heterossexual dos nossos dias.
Regressando novamente a Darwin, sem que ele tenha dado por isso, só para evocar a sua palavra favorita – evolução. Se olharmos para uma cozinha de uma casa de uma classe média/alta, as outras nao conheço, o que vemos são máquinas. Neste local inóspito, o mais parecido com a velha Ana, minha avó e excelente cozinheira, mulher capaz de grelhar e matar um porco, a maioria das vezes por esta ordem, é a bimby. A bimby, uma máquina que faz receitas completas e que se vê que as faz com carinho (pelo menos não suspira enquanto me faz o jantar.) e que tem um nome suficientemente apelativo para nos fazer voltar atras para lhe pedir o número de telefone. É uma excelente máquina. Para os que nao conhecem o electódomestico em questao e querem perceber melhor as suas caracteristicas técnicas eu diria que, se várias bimbys estivessem na praia a apanhar sol e aparecesse uma excursão de microondas com garrafões e geleiras, elas levantavam-se e abandonavam a praia. É assim que ela é.
A cronica termina com um homem sozinho na sua cozinha com a sua bimby e a máquina de café expresso. Um triangulo que muitas vezes é usado como inicio mas que aqui serve para acabar. Aproveito para me despedir de darwin avisando-o para nao se esquecer de apagar as velas antes de adormecer nao vá acontecer como da última vez.



